Em uma semana, justamente na semana da visibilidade trans, três vereadoras negras e trans sofreram violências políticas. Duas delas tiveram uma atentado direto à sua vida, quando tiros foram disparados contra as suas casas.

No último domingo de janeiro, a Samara Sosthenes, integrante do mandato Quilombo Periférico (PSOL/SP), mulher negra, travesti e nordestina, teve sua casa atacada por uma pessoa de moto que disparou contra a sua residência.

Alguns dias antes, Carolina Iara, covereadora da Bancada Feminista do PSOL de São Paulo, mulher intersexo, travesti, positHIVa e negra, sofreu um atentado quando dois tiros foram disparados contra a sua casa.

No mesmo dia, Erika Hilton, outra vereadora trans negra de São Paulo, sofreu ameaça em seu próprio gabinete, na Câmara Municipal.

Após esses ataques, lançamos a segunda ação da plataforma Não Seremos Interrompidas, pressionando as autoridades municipais, estaduais e federais a agirem para garantir segurança para as parlamentares.

Mais de 10 mil e-mails de pressão foram enviados e muitas ações de incidência foram feitas e estão gerando uma série de resultados:

1. O efeito da pressão em órgãos públicos da esfera nacional deu resultados como a indicação da criação de uma Subcomissão de Violência Política de Gênero e Raça no Congresso Nacional.



2. A pressão local também se tornou referência internacional com a ocupação de espaços como a ONU e a Comissão Interamericana de Direitos Humanos, levando as denúncias de violências.
3. A campanha ajudou na visibilidade dos casos e na chamada de atenção da imprensa, que pautou ainda mais a situação e constrangeu as autoridades locais a seguirem com as investigações adiante.



A violência política contra mulheres trans, negras e periféricas não é um caso isolado

Mulheres negras e pessoas trans e travestis são vítimas de violência política desde que se colocam a disposição para ocupar cargos de tomada de decisão. Segundo a pesquisa "Violência Política contra Mulheres Negras", realizada durante as eleições com 142 mulheres negras que assinaram a Agenda Marielle, 98,5% das candidatas sofreu algum dos 8 tipos de violência política mapeados.

A pesquisa, realizada pelo Instituto Marielle Franco com apoio da Justiça Global e da Terra de Direitos, apontou também que a maior parte das candidatas não receberam nenhum apoio para denunciar e não viam resultado nas denúncias. O caso dessas mulheres mostra que, se já era arriscado quando eram candidatas, agora que estão eleitas as mulheres negras estão em uma situação ainda mais insegura.

Se manifestar para defender essas mulheres é se manifestar para defender todas as mulheres negras e pessoas trans eleitas e futuras candidatas do país.





A primeira ação da plataforma "Não Seremos Interrompidas" foi lançada no final de 2020, no caso da Ana Lúcia Martins, primeira vereadora negra eleita em Joinville. Graças a mobilização e pressão da sociedade, o caso de Ana ficou conhecido em todo o país e passou a ser investigado com acompanhamento de diversas organizações.

Após esse caso, várias outras parlamentares eleitas receberam ameaças semelhantes e iniciamos então uma estratégia de incidência estrutural para cobrar das autoridades um sistema político seguro para todas as pessoas.

Agora, dada a gravidade do caso da Carol Iara, voltamos a pressionar publicamente as autoridades para exigir que ela seja protegida.
Conhece alguma Mulher Negra Eleita que está passando ou passou por alguma violência política após a eleição?




Acesse os dados da pesquisa sobre Violência Política contra Mulheres Negras, realizada durante as eleições municipais:




Quem organiza essa ação?












Organizações apoiadoras: